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04/04/10 |
CIÊNCIA

O Brasil avança nas pesquisas com células-tronco

14 anos depois de Dolly

Até a clonagem da ovelha Dolly, em 1996, a sociedade não imaginava ser possível reproduzir um ser geneticamente idêntico a outro a partir de uma célula. Na ocasião, o tema foi bastante debatido, em especial, pelo aumento das chances de se clonar um ser humano. Entretanto, convenções, protocolos internacionais e as legislações dos países impedem esses estudos para fins de reprodução humana.

Mas, de lá para cá, muitos avanços ocorreram no campo da clonagem. Vários animais foram reproduzidos a partir dessa técnica, como ratos, peixes e macacos. Esse processo de reprodução vem se aperfeiçoando, permitindo seu melhor uso em setores como pecuária e agronegócio.

Diversos países usam hoje a reprodução assistida dos seus rebanhos. Dessa forma, muitos dos bois nascem por inseminação artificial, tornando os métodos reprodutivos mais eficientes. Prevê-se que técnicas de clonagem serão usadas amplamente em um futuro não muito distante. No agronegócio, a clonagem de plantas em grande escala para uso industrial já é feita há bastante tempo.

Avanços para saúde

A medicina regenerativa vem aperfeiçoando os estudos para o uso de células tronco e das técnicas de clonagem na restauração do sistema nervoso em pessoas paraplégicas e tetraplégicas. Além disso, há pesquisas voltadas para o tratamento de doenças cardíacas e degenerativas, como distrofia muscular, Alzheimer, Parkinson, entre outras.

A reconstrução de órgãos, como fígado, pâncreas, coração e outros tecidos, também vem sendo analisada. Por enquanto, a técnica da clonagem ainda não conseguiu resultados nesse campo. Por ser algo mais complicado, será preciso mais tempo de estudo.

Apesar de representar um importante avanço para humanidade, a clonagem é algo que sempre ocorreu espontaneamente na natureza. Trata-se da reprodução assexuada de células capazes de gerar um ser idêntico a si, a partir de seu próprio material genético. Nesse caso, não acontece a junção de duas células gametas ou células sexuais. Micro-organismos, bactérias, fungos e levedura, por exemplo, têm este como um mecanismo comum de propagação da espécie. Em humanos, os clones naturais são os gêmeos univitelinos, seres que compartilham do mesmo DNA, ou seja, do mesmo material genético originado pela divisão do óvulo fertilizado.

Diferenças das células-tronco


O principal benefício que a descoberta da clonagem trouxe foi a possibilidade de construir uma célula embrionária a partir de uma célula somática, isto é, uma célula já diferenciada, como em um corpo adulto. A princípio, isso pode não parecer tão fantástico, mas reconduzir uma célula que já está especializada para uma em seu estado natural e promover sua multiplicação e diferenciação para originar um novo tecido ou mesmo um organismo representa um enorme avanço científico. Outra comprovação importante foi a demonstração de criar um ser de forma assexuada, ou seja, sem a junção dos gametas feminino e masculino. Essa descoberta marcou uma grande mudança no conceito do padrão tradicional de reprodução das espécies.

As células-tronco também vêm sendo pesquisadas e usadas no tratamento de diversas doenças. Assim como ocorre na clonagem, elas podem ser transformadas em células de qualquer parte do corpo. Porém, uma desvantagem é que se não forem bem controladas, podem dar origem a tumores e acabarem se tornando células malignas.

Brasil no cenário mundial

Vários grupos no Brasil estão pesquisando as células-tronco, principalmente na medicina regenerativa. O Ministério da Saúde possui um programa que apoia estudos de células-tronco para doenças cardíacas, com resultados positivos. Na parte de inseminação artificial de animais, o país está bastante ativo e diversas iniciativas estão sendo realizadas.

A clonagem de animais e plantas é regulada pelo Ministério da Agricultura. Quando se trata de animal ou planta transgênica, a fiscalização cabe à Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio).

Consultoria: Wim Degrave, pesquisador titular do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz
(Patricia Moreira)

Fonte: Ministério da Saúde – FIOCRUZ - Notícia publicada em 04/04/10.